Poderia o capitalismo ter prosperado sem o colonialismo?

Um comentário sobre uma entrevista de Vivek Chibber na Jacobin Radio

 

 

 

Vijay Prashad (*)

 

 

Em meados de dezembro de 2025, uma entrevista com o sociólogo Vivek Chibber, da Universidade de Nova Iorque, foi conduzida por Melissa Naschek, dos Socialistas Democráticos da América, para o podcast Confronting Capitalism e, posteriormente, publicada como uma transcrição ligeiramente editada na revista Jacobin (1). Ouvi o podcast e, em seguida, li e reli a transcrição várias vezes. A cada leitura, surpreendia-me constatar que Chibber, professor de Sociologia e editor da revista Catalyst, optara por fazer afirmações tão fortes sobre as origens do capitalismo e o papel secundário do colonialismo na sua origem num podcast, e não num texto escrito extenso com citações.

 

Afinal, no mundo do marxismo, este debate sobre a origem do capitalismo tem cativado académicos de diversas línguas. Em inglês — língua do podcast — o debate teve origem num livro de Maurice Dobb (Studies in the Development of Capitalism, 1948), que provocou uma recensão de Paul Sweezy em Science and Society (1950) e, mais tarde, um debate que foi compilado por Rodney Hilton em The Transition from Feudalism to Capitalism (1976, com ensaios de Christopher Hill, Eric Hobsbawm, George Lefebvre, John Merrington, Giuliano Procacci, Kohachiro Takahishi, Sweezy e Dobb). Este debate foi reformulado mais uma vez após Robert Brenner ter publicado “Agrarian Class Structure and Economic Development in Pre-Industrial Europe” na revista Past and Present (1976), reunindo respostas de vários estudiosos (M. M. Postan, Emmanuel Le Roy Ladurie, Patricia Croot, David Parker, J. P. Cooper, H. Wunder, A. Klima e Rodney Hilton), que foram compiladas num volume intitulado The Brenner Debate: Agrarian Class Structure and Economic Development in Pre-Industrial Europe, editado por T. H. Aston e C. H. E. Philpin (1985). Apresento estes dois livros — o debate Dobb-Sweezy e o debate Brenner — para mostrar que existe uma longa tradição de disputa sobre os factos da transição do feudalismo para o capitalismo na Europa e sobre como delinear as linhas básicas da teoria (2). Tratam-se de relatos extremamente cuidadosos, fundamentados nos dados empíricos disponíveis em cada época e argumentados com rigor por todos os lados, apesar das suas grandes diferenças políticas.

 

Teria sido melhor se Chibber, ao querer iniciar uma discussão sobre a origem do capitalismo e o papel do colonialismo nessa origem, tivesse produzido algo para além de um podcast como forma de incitar ao debate. Seja como for, a sua atitude desdenhosa em relação aos argumentos com os quais discorda (“um completo absurdo” e “absurdo”, diz Chibber; “moda passageira”, diz Naschek) torna difícil saber exatamente quão sérios são em relação a estas questões e se sequer acolheriam uma resposta séria para além dos cliques das redes sociais.

 

No entanto, as questões levantadas por Chibber são muito importantes, não só para uma compreensão académica do passado, mas também para a estratégia política necessária no presente (por exemplo, em torno do crescente debate na esquerda africana — abraçado pelo Fórum Progressista Pan-Africano — sobre a questão das reparações). O título da entrevista é: “A pilhagem colonial não criou o capitalismo”. Esta parece ser uma versão bastante forte do argumento que Chibber aparenta estar a defender, embora, por se tratar de um podcast, seja difícil, para além do título, saber exatamente o que ele está a dizer sobre a relação entre a pilhagem colonial e o capitalismo. É importante realçar que o título nega um argumento que não é, certamente, o defendido pelos académicos interessados na relação entre capitalismo e colonialismo. Nenhum académico sério afirma que o colonialismo criou o capitalismo. Estudos académicos sérios (desde Slavery and Capitalism [Escravatura e Capitalismo], de Eric Williams [1944], a Slavery and Capitalism: A New Marxist History [Escravatura e Capitalismo: Uma Nova História Marxista], de David McNally [2025]) defendem que não se pode compreender o desenvolvimento e a expansão do capitalismo, e particularmente a Revolução Industrial do final do século XVIII e início do século XIX, ou seja, a emergência do capitalismo industrial, sem o processo cíclico de acumulação de capital que emana não apenas da mais-valia extraída dos trabalhadores, mas também dos ciclos de sobre-exploração das partes coloniais e, mais tarde, ex-coloniais do mundo, através de instituições como a escravatura e o endividamento permanente (3). O argumento não é que o capitalismo não poderia ter surgido em qualquer mundo concebível sem o colonialismo, mas que o capitalismo, tal como surgiu historicamente — industrial, global, racializado e imperial —, era indissociável da expropriação colonial.

 

Uma das observações mais interessantes feitas por Chibber é quando afirma que “empiricamente, podemos mostrar que foi um erro” acreditar que “o Norte Global continua rico por causa da pilhagem do Sul”. É difícil saber exatamente a que conjunto de dados empíricos se refere Chibber neste comentário. No século XIX, Dadabhai Naoroji desenvolveu os primeiros cálculos para a drenagem de riquezas da Índia, por exemplo, que foram posteriormente estudados a nível provincial por B. R. Ambedkar e, mais recentemente, calculados por Utsa Patnaik (4). Na última década, Jason Hickel e a sua equipa em Barcelona publicaram uma série de artigos importantes que demonstram a realidade da drenagem de riquezas do Sul para o Norte, não num passado distante, mas desde 1960, quando os dados são mais fiáveis. Num artigo, por exemplo, calculam que o Norte Global drenou 18,4 milhões de milhões de dólares através do processo de troca desigual (ou agiotagem global do trabalho) apenas em 2021 — sem incluir todas as formas mais diretas pelas quais o excedente é desviado do Sul Global (5). Grieve Chelwa e eu próprio trabalhámos sobre a drenagem imposta pelo Fundo Monetário Internacional à maioria dos países africanos ao longo das últimas décadas e descobrimos que os mercados obrigacionistas ocidentais são utilizados como um instrumento fundamental para a apropriação de valores através de uma série de instrumentos corruptos (incluindo pagamentos de transferência) (6). Esta drenagem incessante proporciona um fluxo contínuo de pilhagem para os sistemas financeiros controlados pelo Ocidente, cujo poder permanece intacto apesar das grandes mudanças que ocorrem com o centro de gravidade da economia mundial a deslocar-se para a Ásia (7). Gostaria de ver a que se refere Chibber quando diz que é “equivocado” acreditar que esta pilhagem é uma característica permanente daquilo a que Karl Marx (no Capítulo 26 de O Capital, volume 1) “a assim chamada acumulação originária” (ursprüngliche Akkumulation).

 

Apesar da falta de clareza em vários pontos da entrevista de Chibber, como o acima apontado, gostaria de explicar três pontos para efeitos de discussão: em primeiro lugar, sobre Marx e a acumulação originária; segundo, sobre as ideias do Marxismo Político; e terceiro, sobre o papel do colonialismo e do capitalismo.

 

Marxismo e acumulação originária

 

No primeiro volume de O Capital, Marx desenvolve o conceito da “assim chamada acumulação primitiva” ou “acumulação originária” (uma vez que o termo em alemão, ursprüngliche, enfatiza o elemento fundacional). O objetivo desta secção em O Capital é duplo, sendo o primeiro deles enfatizado por Chibber: em primeiro lugar, desmantelar o mito burguês de que o capitalismo surgiu da frugalidade, do trabalho árduo e da troca pacífica (como seria desenvolvido mais tarde por Max Weber em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, 1904); em segundo lugar, insistir que o capitalismo nasceu globalmente através da violência organizada que separou os produtores dos meios de produção. Esta acumulação originária não foi um prelúdio histórico exclusivo para o capitalismo na Europa, mas um processo global contínuo, indissociável do imperialismo e do colonialismo em todas as suas formas (isto é, incluindo o colonialismo de povoamento) (8). Para Marx, esta acumulação originária refere-se à vedação (“enclosure”) das terras comuns em Inglaterra, à destruição da subsistência camponesa e à criação de um proletariado “livre”, compelido a vender a sua força de trabalho. Este processo exigiu violência estatal — leis contra a vadiagem, punições brutais e o poder coercivo do emergente Estado capitalista (9). Aqui, não há discordância com Chibber, que enfatiza a desapropriação e a criação de um novo ambiente institucional para a competição e a maximização do lucro. No entanto, Marx deixa claro que esta transformação inglesa e holandesa não pode ser compreendida sem o seu contexto histórico mundial (e, além disso, a ascensão holandesa começou a sofrer quando perdeu o controlo de Angola, Brasil e Nova Amesterdão) (10). O comércio a longa distância; a conquista colonial; o genocídio dos povos indígenas nas Américas, África e Ásia; o comércio transatlântico de escravos e a pilhagem que se torna rotineira nestas regiões do mundo foram momentos constitutivos da ascensão do capitalismo.

 

Suspeito que Chibber teria problemas com a expressão “momentos constitutivos”. Esta acumulação originária não é algo que ocorre num passado longínquo, mas antes uma condição permanente imposta à periferia. O colonialismo, e posteriormente o neocolonialismo (como Kwame Nkrumah demonstrou em 1965 e Walter Rodney continuou a revelar em 1972), funcionou como uma máquina de expropriação contínua: roubo de terras, trabalho forçado, estabelecimento coercivo de monoculturas, extração de recursos através de contratos mineiros injustos e transferências de rendimentos, e a destruição da reprodução social autónoma e da produção nacional soberana (11). As economias nacionais e regionais no mundo colonizado foram reorganizadas não para desenvolver as suas próprias forças produtivas, mas para servir os processos de acumulação imperial.

 

A acumulação originária deve ser entendida como uma reorganização violenta da reprodução social, e não meramente como a expropriação de terras e a mobilização coerciva do trabalho para a produção de mercadorias. O capitalismo colonial desmantelou sistematicamente as economias de subsistência, o uso comunitário da terra e os sistemas de cuidados baseados no parentesco, forçando, assim, a reprodução da força de trabalho a decorrer sob formas cada vez mais precárias e feminizadas de trabalho não remunerado ou mal remunerado. Nas colónias, o trabalho feminino — produção de alimentos, trabalho de cuidado, recolha de água e combustível, educação dos filhos e manutenção das comunidades deslocadas — tornou-se um subsídio não reconhecido à acumulação imperial. Ele não foi acessório ao desenvolvimento capitalista, mas antes constitutivo do mesmo. A plantação, a mina e a monocultura só podiam funcionar porque os custos da reprodução da força de trabalho eram violentamente externalizados para as famílias colonizadas e, dentro delas, para as mulheres. A acumulação originária implicou, portanto, não só a separação dos produtores dos meios de produção, mas também a separação da reprodução social do controlo coletivo, subordinando-a aos imperativos dos mercados imperiais, dos regimes de dívida e do patriarcado racializado. Esta destruição e reorganização da reprodução social permanecem entre os mecanismos mais persistentes e menos reconhecidos pelos quais a acumulação primitiva continua a operar no Sul Global (12).

 

Na tradição marxista, existem várias interpretações da ideia de acumulação originária, mas o que os factos demonstram — e que foi estabelecido, por exemplo, na obra de Samir Amin, entre outros — é que o imperialismo não é um desdobramento do capitalismo, mas sim um fundamento do próprio capitalismo (13). De facto, a tradução de ursprüngliche como “primitivo” é precisa noutro aspeto, pois esta forma de acumulação não se dá pela lei do valor, mas através da violência bruta, uma violência primitiva, através de regimes de dívida, programas de ajustamento estrutural, a apropriação ilegal de terras e o uso de tecnologias de guerra híbrida. Esta é a violência da acumulação primitiva, que Marx enfatizou ser não tanto a acumulação, mas a expropriação. O imperialismo não serviu apenas para separar os produtores dos seus meios de produção em Inglaterra e na Holanda, mas também para o fazer com muito mais violência nas Américas, em África e na Ásia, bem como na Irlanda, onde os produtores perderam os seus meios de produção (especialmente as suas terras e direitos fundiários) e tiveram de trabalhar como operários “livres” através de hierarquias sociais que não foram dissolvidas (como as hierarquias de casta e de raça). Sociedades inteiras do mundo colonizado foram transformadas pelos processos do imperialismo para servir os apetites dos países centrais. O exemplo pode vir da própria Irlanda, a primeira colónia de Inglaterra, que foi designada pelos proprietários ingleses para transferir cereais, carne e produtos lácteos para Inglaterra (como Marx observou em O Capital), enquanto o camponês irlandês subsistia de batatas e, à medida que a fome se intensificava, migrava para Inglaterra, para trabalhar por baixos salários nas fábricas, migrando posteriormente para as colónias em busca de trabalho e para as colónias de povoamento em busca de terras (14).

 

O processo primitivo de acumulação estruturou novas relações sociais (incluindo uma nova divisão internacional do trabalho), onde os habitantes das colónias se viram a produzir vastas quantidades de riqueza social não para si próprios ou mesmo para os seus capitalistas nacionais, mas para serem drenadas para o centro do sistema colonial, para aí aumentarem a sua acumulação de capital na indústria e nas finanças. Por exemplo, no vice-reinado do Peru, o vice-rei Francisco de Toledo estabeleceu o sistema mita de trabalho forçado, por meio do qual um em cada sete homens adultos era obrigado a trabalhar sem remuneração para a Coroa espanhola. Os mitayos trabalhavam nas minas de prata com as suas próprias ferramentas e eram sustentados pelas suas comunidades, fornecendo mão-de-obra ainda mais barata do que a escravatura e estabelecendo novas relações sociais nos Andes que perduraram para além da prata nas minas de Potosí (15). A transformação destas relações sociais em formas de atividade social para a produção colonial de mercadorias que sustentaram o desenvolvimento do capitalismo — e estabeleceram uma divisão internacional do trabalho — é ignorada por Chibber neste contexto (16).

 

Chibber faz uma observação interessante: não são apenas os fundos de capital desviados que importam, dado que os portugueses e os espanhóis atraíram as vastas reservas de prata das Américas para a Península Ibérica sem, no entanto, converterem esse capital em indústria e, consequentemente, em acumulação de capital. Em 1956, Pierre Vilar escreveu um ensaio irreverente sobre Dom Quixote (1605), de Miguel de Cervantes, que inclui uma subsecção intitulada “Imperialismo Espanhol: O Estádio Superior do Feudalismo” (17). Vilar sugeriu que a moeda de prata que chegou a Espanha gerou enormes efeitos inflacionistas e não transformou, como Chibber também salientou, a Península Ibérica num centro capitalista. Mas aqui Vilar e Chibber permanecem presos a uma visão da história mundial centrada na nação e não vêm os tentáculos globais que já envolviam a Península Ibérica desde séculos antes. Em 1407, os financeiros genoveses criaram a Casa di San Giorgio, um banco privado que controlava as finanças públicas de Génova (18). A Casa di San Giorgio e outras instituições semelhantes tornaram-se fundamentais para o financiamento do comércio a longa distância da Espanha com a Ásia, a região do Mar Negro e o Norte de África. No século XV, os banqueiros genoveses assumiram o controlo das finanças espanholas, apoiaram a Inquisição, no âmbito da sua tentativa de se tornarem os principais mercadores da região mediterrânica (incluindo a Andaluzia e Marrocos, que detinham a entrada do Oceano Atlântico) e, posteriormente, financiaram o desenvolvimento ibérico das plantações de açúcar na Madeira (já em 1450), nas Canárias (finais do século XV) e em São Tomé (finais do século XV). Estas plantações, de orientação capitalista, serviram de modelo para as plantações que viriam a surgir nas Américas (Hispaniola entre 1516 e 1520, e Porto Rico e Cuba na década seguinte) (19). É desconcertante como Chibber (e Vilar) podem desconsiderar as plantações de açúcar do Mediterrâneo, do Atlântico e das Américas. Vale a pena considerar a “quarta observação” de Marx em A Miséria da Filosofia (1847): “A escravatura direta é tão essencial para a indústria burguesa como as máquinas, o crédito, etc.. Sem escravatura não há algodão; sem algodão não há indústria moderna. Foi a escravatura que deu valor às colónias; foram as colónias que criaram o comércio mundial, e é o comércio mundial que é a condição prévia para a indústria em grande escala. Assim, a escravatura é uma categoria económica da maior importância.”

 

O roubo do ouro de África e da prata das Américas pelos espanhóis e portugueses constituiu o capital inicial para as suas economias de plantação, que foram integradas no sistema capitalista mundial em desenvolvimento, centrado eventualmente em Londres. Foi este capital de Londres que reingressou então nos circuitos do imperialismo para financiar o desenvolvimento das infraestruturas na América Latina, reforçando as estruturas de extração neocolonial de riqueza (20). Entre os marxistas espanhóis, é consensual que as relações sociais capitalistas chegaram mais tarde do que noutras partes da Europa, que os mercadores de Espanha trabalhavam dentro das restrições impostas pela monarquia e se mantinham fracos, e que só surgiram após a invasão napoleónica em 1808 (21). Quando Chibber diz: “Espanha e Portugal deveriam ter tido as primeiras transições para o capitalismo”, ignora a complexa história social da Península Ibérica, as suas ligações ao capital genovês e a deslocação da prata americana da Península Ibérica para financiar o comércio holandês e inglês e a transição destes países para o capitalismo. Este não foi um projeto nacional, mas regional ou continental, e é precisamente isso que Chibber — que parece estar tolhido por um nacionalismo metodológico — não vê (22).

 

Os limites do marxismo político

 

No final da entrevista, Chibber observa que as suas ideias se baseiam na obra de Robert Brenner, “que defendeu este ponto de vista com muita veemência”. Mais tarde, quando Naschek menciona Ellen Meiksins Wood, Chibber responde que “ela estava a basear-se nos argumentos de Brenner”. É importante apresentar esta visão do mundo ao leitor que talvez não esteja familiarizado com o Debate Brenneriano das décadas de 1970 e 1980 e com o ressurgimento deste debate com os vários livros de Wood na década de 1990 (23). Para Brenner e Wood, a última das quais adotou o termo “marxismo político” para descrever a sua abordagem comum, o capitalismo não surgiu do comércio, dos mercados ou do crescimento populacional, nem beneficiou do colonialismo, mas sim de relações de classe agrárias historicamente específicas que obrigaram tanto os proprietários como os produtores a reproduzirem-se através da dependência competitiva do mercado. As relações de classe agrárias em Inglaterra são fundamentais para este processo, e é quando as classes agrárias são submetidas às pressões do mercado que se podem identificar as origens do capitalismo. Nesta perspetiva, a Irlanda ou desaparece (como em Brenner) ou reaparece (como em Wood) apenas para ser diferenciada de outras experiências coloniais, mas o mesmo acontece com a Ásia, a África e, claro, as Américas — e, surpreendentemente, com o resto das Ilhas Britânicas e da Europa. Trata-se meramente de uma história inglesa, sendo a Inglaterra a originadora através da sua própria história social específica das relações sociais capitalistas.

 

Numa breve nota sobre o Debate Brenneriano, o conceituado historiador indiano Irfan Habib escreve que a visão de Brenner é uma “visão fantasiosa do processo que conduziu à revolução industrial inglesa e à transformação da Inglaterra na primeira economia industrial-capitalista do mundo” (24). Habib apresenta várias razões importantes para tal: em primeiro lugar, que Brenner ignora o papel das máquinas e da fábrica, cuja posição na transformação capitalista da agricultura é, por isso, igualmente ignorada. Em segundo lugar, Brenner obscurece o papel da Irlanda como reserva de onde se podiam obter alimentos a preços mais baixos, não só para a classe trabalhadora industrial, mas também para a população agrícola, que, de outra forma, enfrentaria um colapso nos seus rendimentos devido à destruição dos seus artesanatos e das suas próprias explorações agrícolas de subsistência. Em terceiro lugar, Brenner ignora os rendimentos do comércio transatlântico de escravos, o comércio de bens produzidos pelas plantações esclavagistas e o tributo proveniente da Índia. Em quarto lugar, Brenner ignora a luta de classes contra o campesinato (como a violência do movimento das vedações de campos comuns no século XVIII) e a luta de classes do campesinato (desde a Rebelião de Kett, em 1549, até aos motins do Capitão Swing, em 1830-1831) (25).

 

Em O Capital, Marx escreve que “Embora encontremos os primeiros indícios da produção capitalista já nos séculos XIV ou XV, esporadicamente, em certas cidades do Mediterrâneo, a era capitalista data do século XVI” (26). Brenner mantém o período, mas localiza a origem exclusivamente no interior da Inglaterra. Chibber afirma que o capitalismo emerge “a partir de meados do século XV. De forma que, por volta de 1550 ou 1560, já se tinha essencialmente uma economia verdadeiramente capitalista. Isto ocorreu cerca de cem anos antes de a Inglaterra ter qualquer tipo de império real”. Esta é a abordagem clássica de Brenner, que ignora o processo de desenvolvimento capitalista que deve incluir a máquina (mencionada por Habib). A máquina não é apenas um fator de aumento de produtividade, mas uma relação social materializada que reorganiza a disciplina do trabalho, o tempo e a habilidade, além de aumentar a extração de excedentes. A máquina permitiu a criação de novas relações sociais e não se limitou a expressar as já existentes. Como Marx insistiu em O Capital, a maquinaria não é um avanço técnico neutro, mas “a arma mais poderosa para reprimir greves” e para transformar o próprio processo de trabalho, subordinando o trabalho vivo ao trabalho morto e sistematizando a mais-valia relativa (27). Se levarmos a máquina a sério, devemos compreender também o seu papel na produção colonial: primeiro, nos engenhos de açúcar da Madeira, das Ilhas Canárias, de São Tomé e do Caribe a partir de 1450; e segundo, o das máquinas de mineração em Potosí, Zacatecas e na Europa Central a partir de 1500 (28).

 

Estes desenvolvimentos ocorrem antes da invenção dos principais elementos das máquinas têxteis, como a célebre Spinning Jenny (1764), a Máquina de Fiar Hidráulica (1769), a Mula (1779), o Tear Mecânico (1780) e a Máquina a Vapor (1763). De facto, é compreensível que Chibber desconheça a importância da transformação radical das relações sociais na Madeira e em Zacatecas pela máquina, moldando-as em relações sociais capitalistas, dado que a literatura sobre estes desenvolvimentos ou não está em inglês ou não foi publicada por editoras metropolitanas (29). A ausência de menção às máquinas nesta literatura, considerando o seu papel na expansão da reprodução, e a ausência de menção às primeiras plantações no Mediterrâneo e no Atlântico, revelam a estreiteza de perspetiva do marxismo político, que se contenta com os registos senhoriais e feudais ingleses (ignorando mesmo os registos paroquiais como fontes de material demográfico, os manuais de engenharia, os relatórios de inspetores de fábricas, os livros de contabilidade, os arquivos de propriedades e os manuais tecnológicos).

 

O marxismo político, ou, pelo menos, os primeiros trabalhos de Brenner e os trabalhos posteriores de Wood, mostram como as relações sociais capitalistas disciplinaram o trabalho em Inglaterra e noutras partes do mundo atlântico norte. O que não mostra é a relação deste trabalho disciplinado com a reprodução expandida do capital e com a expropriação de terras, de trabalho e de minerais nas colónias. Um relato rigoroso das complexas origens do capitalismo não daria a este uma data e um local de nascimento tão precisos. Situaria antes aquelas origens na plantação, na mina, na colónia, no navio negreiro e, claro, nos campos de Inglaterra e nas fábricas do noroeste da Europa.

 

O papel do colonialismo

 

Logo no início da entrevista, Chibber diz que vai afastar a “ideia de que o capitalismo surgiu da pilhagem”, que, segundo ele, “foi completamente desacreditada nas décadas de 1980 e 1990”. O argumento que aqui defendo não é que o colonialismo “criou” o capitalismo mecanicamente, mas sim que o capitalismo emergiu como uma relação social global (através da criação de uma divisão internacional do trabalho) com dinâmicas internas na Europa que eram indissociáveis da expropriação colonial, do trabalho forçado e da produção mecanizada noutros locais. Não obstante, é significativo que, em diversos momentos da entrevista, Chibber fale sobre “pilhagem”, que é uma parte importante do arsenal retórico da libertação nacional: drenagem sendo o termo usado no século XIX, depois pilhagem, sendo tributo uma palavra desenvolvida como conceito crítico por Samir Amin. O que Chibber parece não admitir, no seu uso da palavra “pilhagem”, é que o colonialismo não se resume ao roubo de prata, mas também à expropriação de terras e de corpos. Recorde-se que Marx, em Valor, Preço e Lucro (1865) — escrito originalmente em inglês — observou o uso, pelos economistas políticos clássicos, do termo “Acumulação Anterior ou Original” e, de seguida, notou que esta “devia ser chamada Expropriação Original”. Esta expropriação original, escreveu Marx, “não significa mais do que uma série de processos históricos, resultando na decomposição da união original existente entre o homem trabalhador e os seus instrumentos de trabalho” (30). Estes processos históricos podem ser vistos precisamente na história da colonização que remonta ao final do século XV. Depois de os enumerar em O Capital, volume 1, capítulo 31 (“A Génese do Capitalista Industrial”), Marx afirma que “Estes procedimentos idílicos são os principais momentos da acumulação primitiva” — por outras palavras, a base do surgimento do capitalista industrial (31). Se ignorarmos o colonialismo e a máquina, não chegaremos à génese do capitalismo industrial, apenas ao surgimento de certas relações sociais que se desdobram no vasto mostrengo do capitalismo.

 

A questão levantada pela intervenção de Chibber não é se o capitalismo poderia, em abstrato, ter existido sem o colonialismo, mas antes se o marxismo pode explicar o capitalismo, tal como ele de facto emergiu, sem se confrontar com o império, a escravatura e a dominação mediada por máquinas. Neste ponto, o marxismo político, e a interpretação popular de Chibber, deixam a desejar. Ao confinar as origens do capitalismo às relações de classe agrárias inglesas e ao tratar o colonialismo como analiticamente secundário, confunde uma abstração — uma ênfase no poder político e nacional em oposição às relações político-económicas globais — com uma explicação histórica. Se começarmos por nos abstrair analiticamente do mundo, não é de estranhar que as nossas conclusões levem à visão de que o mundo é irrelevante.

 

O capitalismo não surgiu como um sistema nacional autossuficiente, posteriormente projetado para o exterior. Emergiu através de processos globais de expropriação, da reorganização violenta do trabalho e da natureza, em todos os continentes, e da implantação precoce de máquinas em plantações, minas e complexos extrativos, que disciplinaram o trabalho muito antes de a fábrica inglesa se tornar dominante. Não se tratou de episódios periféricos ou de mera “pilhagem”, mas de momentos constitutivos na formação das relações sociais capitalistas e da divisão internacional do trabalho.

 

Se estas histórias forem levadas a sério, a questão das reparações não poderá ser descartada como um apelo moral ou uma reivindicação retrógrada, mas deverá ser compreendida como uma necessidade material e política. As reparações não se tratam apenas de atribuir culpas por crimes passados, mas de confrontar as estruturas de acumulação em curso, fundadas pela expropriação colonial e que continuam a reproduzir a desigualdade global no presente. Esta é a tese do novo livro escrito por Kwesi Pratt Jr., líder do Movimento Socialista do Gana, com prefácio do presidente ganês John Mahama. A entrevista de Chibber surge precisamente quando o livro de Pratt começa a atrair a atenção, não só no Gana, mas em todo o continente, com Mahama a prometer angariar apoio para esta ideia através da Agenda de Reparações da União Africana (32). A riqueza do Norte Global não foi meramente acelerada pelo império; constituiu-se através de processos de desapropriação que destruíram caminhos alternativos de desenvolvimento, reorganizaram a reprodução social e aprisionaram grande parte do Sul Global em relações de dependência que persistem através da dívida, do comércio e da dominação financeira. Rejeitar as reparações, mesmo reconhecendo estas histórias, é naturalizar uma ordem mundial injusta como se fosse o resultado de processos de mercado neutros, em vez de séculos de violência organizada. Um marxismo que leve o imperialismo a sério deve, por isso, insistir que as reparações — seja através do cancelamento da dívida, da restituição de recursos roubados, da transferência de tecnologia ou da reconstrução das capacidades públicas destruídas pelo colonialismo e pelo ajustamento estrutural — não são atos de caridade, mas momentos de luta pela redistribuição da riqueza social historicamente expropriada. Sem esta política, as críticas ao capitalismo correm o risco de se tornarem analiticamente precisas, mas politicamente inertes, incapazes de ligar a verdade histórica às exigências da transformação anti-imperialista no presente.

 

Negar isto não é simplesmente interpretar mal a história, é desarmar politicamente o marxismo. Uma teoria que separa o capitalismo do imperialismo não consegue explicar a persistência do desenvolvimento desigual, do trabalho racializado e das formas contínuas de acumulação primitiva. Um marxismo adequado ao nosso mundo deve, portanto, começar onde o próprio capitalismo começou — não apenas no campo inglês, mas também na plantação, na mina, na colónia e na máquina.

 

 

 

 

 

 

(*) Vijay Prashad (n. 1967) é um hiperativo historiador, pesquisador, jornalista, editor, comentador político e intelectual público indiano e cosmopolita. Nascido e criado em Calcutá, frequentou aí a Doon School (um internato residencial para rapazes), inserindo-se, por tradição familiar, no ambiente intelectual do comunismo bengalense. Nos Estados Unidos da América, obteve uma licenciatura no Pomona College em 1989 e um doutoramento na Universidade de Chicago em 1994. É atualmente diretor executivo do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, editor da LeftWord Books, correspondente de Globetrotter Media e membro sénior não residente do Instituto Chongyang de Estudos Financeiros da Universidade Renmin, da República Popular da China. Entre as suas já muito numerosas obras publicadas em volume, destacaremos, The Karma of Brown Folk, University of Minnesota Press. (2000), Untouchable Freedom: A Social History of a Dalit Community, Oxford University Press (2002), Keeping up with the Dow Joneses: Stocks, Jails, Welfare, South End Press (2003), The Darker Nations: A People's History of the Third World, The New Press (2007), Marx's Capital: An Introductory Reader, com contribuições de Vijay Prashad, Venkatesh Athreya, Prasenjit Bose, Prabhat Patnaik, Jayati Ghosh, T. Jayaraman, R. Ramakumar, LeftWord (2011), Arab Spring, Libyan Winter, AK Press (2012), Poorer Nations: A Possible History of the Global South, Verso (2013), No Free Left: The Futures of Indian Communism, LeftWord Books (2015), Red October: The Russian Revolution and the Communist Horizon, LeftWord Books (2017), Red Star Over the Third World, Pluto Press (2019), Washington Bullets, LeftWord Books (2020), The Withdrawal: Iraq, Libya, Afghanistan, and the Fragility of U.S. Power, com Noam Chomsky. The New Press (2022), Struggle Makes Us Human: Learning from Movements for Socialism, Haymarket Books (2022), The Political Marx, com Aijaz Ahmad, LeftWord Books (2023) e On Cuba: Reflections on 70 Years of Revolution and Struggle, com Noam Chomsky, The New Press (2024). Entre os projetos que animou e coordenou na Tricontinental, saliente-se a desafiante obra teórica e empírica Hiperimperialismo: um novo estágio decadente perigoso. O presente artigo foi publicado no Vol. 77, n.º 10 da revista Monthly Review. Todos os direitos reservados. A tradução é da responsabilidade de Ângelo Novo.

 

 

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NOTAS:

 

(1) Vivek Chibber entrevistado por Melissa Nascheck, “Colonial Plunder Didn’t Create Capitalism”, Jacobin, December 14, 2025.

 

(2) O debate foi enxertado nas linhas académicas de diferentes línguas, incluindo o japonês, o russo e o espanhol. No Japão, o debate começa na década de 1930, antecedendo Dobb — que foi traduzido para japonês em 1946 — com A História do Desenvolvimento do Capitalismo Japonês, de Naro Eitarō (1930), e estendeu-se até A Estrutura Histórica do Japão Capitalista, de Kanji Ishii (2015). Na União Soviética, os principais autores foram Evgeny Kosminsky e Boris Porshnev. Os livros de Kosminsky centraram-se na experiência inglesa, com A Aldeia Inglesa no Século XIII (1935) e Estudos sobre a História Agrária da Inglaterra no Século XIII (1947), enquanto Porshnev publicou As Revoltas Populares em França de 1623 a 1648 (1948) e Feudalismo e as Massas Populares (1964). Porshnev publicou um relato sintético em francês: “Les problèmes de la crise du féodalisme”, Annales Économies, Sociétés, Civilizations 13, n.º 1 (1958). Em espanhol, a extensa literatura culmina em José Antonio Martínez Torres, “La transición del feudalismo al capitalismo: ¿Un debate extintos?”, Revista de historia Jerónimo Zurita, n.º 74 (1999).

 

(3) O conceito de superexploração tem as suas raízes nos escritos de Marx em O Capital, onde aborda os lucros excessivos da extração colonial. Esta ideia é posteriormente retomada por V. I. Lenine, que em Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo (1916) escreve sobre “lucros extra”. O conceito é ainda desenvolvido por Charles Bettelheim, em Cálculo Económico e Formas de Propriedade (Paris: Maspero, 1970); Ruy Mauro Marini, em Dialética da Dependência (México: Era, 1973), também publicado pela Monthly Review Press como The Dialectics of Dependency; Samir Amin, Imperialism and Unequal Development (New York: Monthly Review Press, 1976); Tricontinental: Instituto de Investigação Social, Dependência e Superexploração: A Relação entre o Capital Estrangeiro e as Lutas Sociais na América Latina, Dossier n.º 67, agosto de 2023..

 

(4) Dadabhai Naoroji, Poverty and Un-British Rule in India (London: Swan Sonnenschein & Co., 1901); B. R. Ambedkar, The Problem of the Rupee: Its Origin and Its Solution (London: P. S. King and Son, 1923); Utsa Patnaik, “The Free Lunch: Transfers from the Tropical Colonies and Their Role in Capital Formation in Britain during the Industrial Revolution,” in Globalization Under Hegemony: The Changing World Economy, ed. K. S. Jomo (Delhi: Oxford University Press, 2006); Prabhat Patnaik e Utsa Patnaik, “The Drain of Wealth: Colonialism before the First World War”, Monthly Review 72, n.º 9 (February 2021): pp. 1–19.

 

(5) Jason Hickel, Dylan Sullivan e Huzaifa Zoomkawala, “Plunder in the Post-Colonial Era: Quantifying Drain from the Global South Through Unequal Exchange, 1960–2018” New Political Economy 26, n.º 6 (2021); e Jason Hickel, Christian Dorninger, Hanspeter Wieland e Intan Suwandi, “Imperialist Appropriation in the World Economy: Drain from the Global South through Unequal Exchange, 1990–2015,” Global Environmental Change 73 (March 2022). É importante compreender que a troca desigual baseada na subvalorização do trabalho no Sul Global não abrange a totalidade da drenagem de excedentes do Sul. Ver John Bellamy Foster e Brett Clark, “Introduction to the Updated Edition of Unequal Exchange”, Monthly Review 77, n.º 8 (janeiro de 2025): pp. 1–19. Também publicado em língua portuguesa na revista O Comuneiro, n.º 42, março de 2026.

 

(6) Grieve Chelwa e Vijay Prashad, How the International Monetary Fund Suffocates Africa (Johannesburg: Inkani Books, 2026).

 

(7) Tricontinental: Institute for Social Research, The Churning of the Global Order, Dossier n.º 72, January 2024.

 

(8) Sobre o colonialismo de povoamento, veja-se o excelente ensaio de John Bellamy Foster, “Imperialism and White Settler Colonialism in Marxist Theory", Monthly Review 76, n.º 9 (February 2025): pp. 1–21.

 

(9) O relato clássico é E. P. Thompson, Whigs and Hunters: The Origins of the Black Act (Harmondsworth: Penguin Books, 1976). Uma década e meia antes de Thompson, Ranajit Guha publicou um livro sobre o movimento de "cercamento" em Bengala, que não foi utilizado por Thompson nem trazido à luz do dia no debate. Ver Ranajit Guha, A Rule of Property for Bengal: An Essay on the Idea of Permanent Settlement (Paris: Mouton, 1963). Thompson escreve sobre a Lei Negra de 1723 e Guha sobre o Assentamento Permanente de 1793.

 

(10) Alexander Anievas e Kerem Nisancioglu, How the West Came to Rule: The Geopolitical Origins of Capitalism (London: Pluto Press, 2015).

 

(11) Kwame Nkrumah, Neo-Colonialism: The Last Stage of Imperialism (London: Thomas Nelson and Sons, 1965); Walter Rodney, How Europe Underdeveloped Africa (Dar es Salaam: Tanzania Publishing House, 1972).

 

(12) O texto clássico é Maria Mies, Patriarchy and Accumulation on a World Scale: Women in the International Division of Labour (London: Zed Books, 1986), mas leia-se também Silvia Federici, Caliban and the Witch: Women, the Body, and Primitive Accumulation (New York: Autonomedia, 2004).

 

(13) De Samir Amin, Les effets structurels de l’intégration internationale des économies précapitalistes, tese, Paris, 10 de junho de 1957; até Samir Amin, Modern Imperialism, Monopoly Finance Capital, and Marx’s Law of Value (New York: Monthly Review Press, 2018).

 

(14) John Bellamy Foster and Brett Clark, “The Rift of Éire”, Monthly Review 71, n.º 11 (April 2020): pp. 1–11.

 

(15) Na verdade, Pablo Macera defende que o sistema mita moldou as relações laborais na era contemporânea no Peru. Tal pode ser constatado em duas das suas mais importantes monografias, Trabajos de historia (Lima: Instituto Nacional de Cultura, 1977) e Visión histórica del Perú (Lima: Editorial Milla Batres, 1978). Esta linha de pensamento foi desenvolvida por Alberto Flores Galindo em Buscando un Inca (Lima: Instituto de Apoyo Agrario, 1986).

 

(16) Carlos Sempat Assadourian, El sistema de la economía colonial: Mercado interno, regiones y espacio económico (Lima: Instituto de Estudios Peruanos, 1982).

 

(17) Pierre Vilar, “Le temps du Quichotte,” Europe, n.º 34 (1956), traduzido para a língua inglesa como “The Age of Don Quixote,” New Left Review, I/68 (July–August 1971).

 

(18) Carlo Taviani, The Making of the Modern Corporation: The Casa di San Giorgio and Its Legacy, 1446–1720 (New York: Routledge, 2022).

 

(19) Robin Blackburn, The Making of New World Slavery: From the Baroque to the Modern, 1492–1800 (London: Verso, 1997). O mais importante trabalho é Vitorino Magalhães Godinho, Os Descobrimentos e a Economia Mundial (Lisboa: Editorial Presença, 4 vols., 1963–1971).

 

(20) A literatura sobre este ponto é vasta. D. C. M. Platt, Finance, Trade, and Politics in British Foreign Policy, 1815–1914 (Oxford: Clarendon Press, 1968); Tulio Halperín Donghi, Una nación para el Desierto Argentino (Buenos Aires: Centro Editor de América Latina, 1982); Hilda Sábato, La clase dominante en la Argentina moderna: Formación y características, 1860–1910 (Buenos Aires: CISEA/Sudamericana, 1988).

 

(21) Josep Fontana, La quiebra de la monarquía absoluta, 1814–1820 (Barcelona: Ariel, 1971); Josep Fontana, Historia: análisis del pasado y proyecto social (Barcelona: Editorial Crítica, 1982); Manuel Tuñón de Lara, La España del siglo XIX (Barcelona: Laia, 1974); Manuel Tuñón de Lara, El movimiento obrero en la historia de España (Madrid: Taurus, 1972); Jordi Nadal, El fracaso de la revolución industrial en España, 1814–1913 (Barcelona: Ariel, 1975).

 

(22) Andreas Wimmer e Nina Glick Schiller, “Methodological Nationalism and Beyond: Nation-State Building, Migration and the Social Sciences”, Global Networks 2, n.º 4 (2002): pp. 310–34.

 

(23) Por Robert Brenner: “Agrarian Class Structure and Economic Development in Pre-Industrial Europe”, Past & Present, n.º 70 (1976); “The Origins of Capitalist Development: A Critique of Neo-Smithian Marxism”, New Left Review, I/104 (1977); “The Agrarian Roots of European Capitalism”, Past & Present, n.º 97 (1982). Para algumas críticas ao seu ponto de vista e para as suas respostas, ver The Brenner Debate: Agrarian Class Structure and Economic Development in Pre-Industrial Europe, eds. T. H. Aston e C. H. E. Philpin (Cambridge: Cambridge University Press, 1985). Por Ellen Meiksins Wood, ler The Pristine Culture of Capitalism (London: Verso, 1991); Democracy Against Capitalism (Cambridge: Cambridge University Press, 1995); e The Origin of Capitalism: A Longer View (London: Verso, 2002).

 

(24) Irfan Habib, “The Rise of Capitalism in England: Reviewing the Brenner Thesis”, Proceedings of the Indian History Congress 74 (2013): p. 741.

 

(25) Andy Wood, The 1549 Rebellions and the Making of Early Modern England (Cambridge: Cambridge University Press, 2007); Eric Hobsbawm e George Rudé, Captain Swing (London: Lawrence & Wishart, 1969).

 

(26) Karl Marx, Capital, vol. 1 (New Delhi: LeftWord Books, 2010), p. 506.

 

(27) Marx, Capital, vol. 1, p. 290.

 

(28) João G. Araújo et al., “Sugar Production in the Atlantic: Ceramic Moulds from Madeira, Cape Verde, and São Tomé (15th–17th Centuries),” Instalaciones y paisajes azucareros atlánticos, Gaëlle Dieulefet e Catherine Losier, eds. (Oxford: Archaeopress, 2023); Peter Bakewell, Minería y sociedad en el México colonial: Zacatecas, 1546–1700 (México: FCE, 1976).

 

(29) Geraldo Gomes, Engenho e Arquitetura — tipologia dos edifícios dos Antigos Engenhos de açúcar de Pernambuco (Recife: Editora Fundação Gilberto Freyre, 1998); Modesto Bargalló, La minería y la metalurgia en la América española durante la época colonial, con un apéndice sobre la industria del hierro en México desde la iniciación de la Independencia hasta el presente (México: Fondo de Cultura Económica, 1955).

 

(30) Karl Marx, Value, Price and Profit in Wage-Labour and Capital/Value, Price and Profit (New York: International Publishers, 1976), pp. 38–39.

 

(31) Marx, Capital, vol. 1, p. 531.

 

(32) Kwesi Pratt Jr., Reparations: History, Struggle, Politics, and Law—Reparations for Africa (Accra: Printer Excel, 2025); Mikaela Nhondo Erskog e Vijay Prashad, “The Actuality of Red Africa”, Monthly Review 76, n.º 2 (June 2024): pp. 37–50; também publicado em língua portuguesa por O Comuneiro, n.º 39, setembro de 2024.