A PÁGINA DE ÂNGELO NOVO

 
 O SUICÍDIO: PONTO DA QUESTÃO
 
 suicidio
 

 

“Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida, é responder a uma questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. São apenas jogos; primeiro é preciso responder. E se é verdade, tal como Nietzsche o quer, que um filósofo, para ser estimável, deve dar o exemplo, avalia-se a importância desta resposta, visto que ela vai preceder o gesto definitivo."

Albert Camus escreveu provavelmente estas linhas, das mais célebres que saíram da sua pena, nesse ano de 1940, o da derrota francesa face às panzerdivisionen de Hitler. Quando "0 Mito de Sísifo" é publicado pela Gallimard, em Outubro de 1942, o seu autor estava já activamente comprometido com a resistência ao ocupante, com ligações tanto aos seus círculos católicos como aos comunistas. Temperava pois as suas reflexões sobre o sentido e valor da existência com os mais urgentes apelos da "praxis".

O autor de "A Queda" era familiar dos mais profundos abismos da vida espiritual. Possuía aquela agudíssima consciência de si que, em plena rua, podia fulminá-lo instantaneamente com um vislumbre vertiginoso e irrecusável desse último e definitivo estágio da condição humana - o absurdo, o nada. O herói camusiano que, com um calafrio na espinha, sofre a brutal hemorragia de todo o sentido, antevê perante si o sorriso descarnado e irónico do destino. Sim, oh sim, isto é sem esperança.

Camus era assaltado amiúde pela ideia do suicidio, conviveu com ela, analisou-a quase amorosamente. Veio a perecer, acidentalmente, mas num claro acto de desafio nos limites da temeridade física.

Cinquenta anos passaram sobre a questão posta em "O Mito de Sísifo”, trinta sobre a morte do autor. O sentimento do absurdo fez escola filosófica e literária, há muito já fora de moda. Quotidianamente renovado e reproduzido até à irrisão, é estudado nas escolas secundárias, custando, no total, algumas horas de sono por entre todos os adolescentes que a ele dedicaram alguma fugitiva e ociosa reflexão.

Repôr hoje, filosoficamente, a questão do suicídio é, assim mesmo, o objectivo das bisonhas reflexões que vou aqui alinhavar de seguida. Não porque alimente desde já a propósito de “inaugurar” algum novo ponto de interesse para o roteiro suicida peninsular. (À atenção de Antonio Tabuchi: a oitocentista ponte pênsil, logo a jusante da actual ponte D. Luis I, foi consagrada com um belíssimo salto, ao estilo tardo romântico, por um jovem advogado e poeta das relações de Camilo, como este nos relata em "Cousas Leves e Pesadas"; era lástima que o teatemunho passasse agora a um suicida de fria e bem pautada reflexão, espatifando-se como irrefutável consequência de um implacável encadeado silogístico.) Está cada vez mais difícil ser interessante, mesmo metendo um balázio. Por estes lados, desde o Manuel Laranjeira não houve mais nada que despertasse a atenção, apenas um encolher de ombros de desconsolo resignado. (Pode ainda assim ler-se, com algum interesse, o caso de José Alcobia, vampirizado por Justino Pamplona e Luis Rodrigues em “Perfeito como nos filmes”, Ed. Caminho.)

Para lá, contudo, do simples e instintivo apego físico à rude carcaça, a vontade de viver, de dizer um amplo, vibrante e incondicional sim à vida, é uma atitude bem complexa, que nunca se porá da mesma maneira em duas épocas distintas. É por isso que, hoje como sempre, a pergunta pelo sentido e valor da existência deve animar aqueles que quiserem perscrutar os mais íntimos e particulares sinais dos tempos que lhes são dados viver. Não fosse senão para os recusar em bloco.

Há uns seis ou sete anos, escrevi um artigo sobre a movimentação contestatária dos jovens, onde se pode ler que "uma parte significativa da juventude (... ) perdeu a sua capacidade de referência e posicionamento crítico na sociedade. Apanhado num cruzamento incessante de apelos massificantes, de mensagens simplificadas em extremo, sinais breves e reiterados de tremenda eficácia desagregadora, o jovem perde a capacidade de reconhecer os conjuntos e suas determinações. Alienado da sua condição social, enquanto prática ritualizada de actos e significados com cidadania no quadro orgânico da sociedade, o jovem acha-se in-significante, quer dizer, sem sentido. E o seu desencontro consigo mesmo é a é a medida da sua impotência para compreender o mundo - daí o carácter irracional dos seus comportamentos e crenças."

Obcecado como eu estava na altura por ideologias que supunham sempre alguma espécie de alavanca histórica, baseada numa organicidade social básica, atacava um sistema que me parecia mascarar despudoradamente uma estratificação social ainda acentuadamente rígida com a gigantesca cortina de fumo da cultura pop, dissolvedora de quaisquer sentidos ou referências discursivas coerentes. Havia qualquer coisa do trágico cântico das sereias da "Odisseia" nessas luzes psicadélicas e nos acordes das guitarras eléctricas.

Hoje que perdi a fé na alavanca histórica, também me parece de duvidosa utilidade a insistência em esquemas mentais de estrita imanência e em classes que vivem numa espécie de apartheid (desenvolvimento separado) social. O purismo do discurso e o meu apurado espírito de sistema à soissantard foram os próximos sacrificados. Hoje rio alegremente de me ter ocupado tão a sério, na chamada idade da despreocupação, em manter uma atitude e imagem sempre rigorosamente coerentes. Desde os livros a ler ao comportamento a observar em locais públicos, passando pela cor e talhe das camisas, tudo era racionalmente integrado e sujeito a permanente revisão crítica à cata de incongruências. Nesses dias, a vida era realmente um assunto sério. Vivia-se, de manhã à noite, verdadeiramente esmagado de responsabilidade histórica. O culto do sistema (crítico, naturalmente) atingia requintes de esquizofrenia.

A ideia de liberdade que eu então tinha estava impregnada de um determinismo férulo. Cada um devia "tornar-se naquilo que se é”, por "livre" assunção de um papel socialmente prescrito, participando conscientemente de um processo de transformação em desenvolvimento segundo determinadas leis dialécticas objecto de conhecimento histórico. Era-se livre na medida em que se conhecia como e porque se era rigidamente condicionado. Só deste modo se poderia, dentro de muito estreitos limites, agir sobre a sua circunstância. Quem não tinha este conhecimento era um fantoche, irremediável joguete de forças para ele sempre ocultas, simples "abelha na chuva" para usar o belo título de Carlos de Oliveira.

Actualmente é muito marginal este tipo de pensamento. As chamadas ciências sociais e humanas, embrenhadas em desafios de complexidade crescente, ou na complexidade como desafio em si própria, desistiram de nos dar lições magistrais. Simultaneamente, cairam por terra, minadas por crescentes contradições internas e uma eficácia explicativa e previsional sempre decrescente, os últimos grandes discursos fundacionais e legitimadores, aqueles mesrno a que Lyotard chama "grandes narrativas", porventura para lhes acentuar o carácter ficcionista no sentido do grand roman. Na sua teoria da ideologia, Althusser dava dela a imagem de um apelo anónimo, um "pssst" soprado em plena rua, ao qual apenas um transeunte se volta. Este indivíduo é efectivamente o visado pelo apelo, embora ele não saiba explicar porque se virou imediatarnente ao ouvi-lo. Assim a ideologia escolhe e determina o seu sujeito, sem que este tenha outra alternativa que uma aderência inconsciente e em bloco a todo um sistema de pensamento que lhe permanece, contudo, em grande medida, alheio e esdrúxulo. Mas estes são rudes tempos para a ideologia, a sua força coactiva parece cada vez mais diminuta. O sujeito, continuando a responder ao chamamento, fá-lo-á já sem o automatismo anterior, hesitante, confuso, temendo o ridículo.

Foi no início dos anos setenta que o economista E. F. Schumacher publicou um livro destinado a ficar famoso pelo título: "Small is Beautiful: Economics as if People Mattered". Estava-se na ressaca das jornadas contestatárias de 68, que nos deixariam três legados fundamentais: festivais de rock, terrorismo urbano e o movimento ecologista. Este último, que era sobretudo anti-nuclear, reuniu-se depois em torno do relatório para o Clube de Roma sobre “Os Limites do Crescimento” (hoje votado à irrisão) e do rnemorando Mansholt. Finalmente, pensava-se, o capitalismo confessa os seus crimes, e pela boca de alguns dos seus representantes mais destacados. Acresceram, por esta altura, as teorizações de Michel Bosquet, Serge Moscovici, Edgar Morin, Ivan Illich, René Dumont e alguns mais. O tom era, de regra, violentamente anti-consumista, anti-tecnocrático, anti-imperialista. Fazia-se apelo à iniciativa económica das comunidades locais, baseada em tecnologias não poluentes e fontes energéticas renováveis.

Como o relatório espalhou um verdadeiro pânico catastrofista, eram comuns também os discursos moralizadores. Pugnava-se pelo "crescimento zero" ou mesmo pelo paulatino regresso aos bons ares da comuna rural, patriarcalmente reunida à volta da fogueira, de onde aliás a civilização ocidental não devera nunca ter-se desviado, não fosse esse seu secular apelo da perdição. E aqui a contestação esquerdista aos grandes patrões ganhava halos de maldição bíblica. Tratava-se de encetar uma luta sem quartel contra o gigantismo económico dos grandes grupos internacionais, a grande massificaçâo da sociedade do consumo e do espectáculo, o Estado tentacular, cerceador das liberdades individuais, moralizador e repressivo. E para isso haveria que, num titânico esforço colectivo, fazer parar a insensível roda do progresso técnico e científico, gerador afinal de ruína e desperdício.

Murray Boockchin, vindo da extrema esquerda neo-anarquista norte-americana, num ensaio histórico, "Towards a Liberatory Technology", veio então dizer que afinal o progresso tecnológico não era necessariamente sinónimo de massificação, catástrofe ecológica e utopia negativa. Já estava perto a explosão do micro-ordenador, Sillicon Valley, a "terceira vaga" de Alvin Toffler. O grande capital sem fronteiras ratifica a sua tomada de partido contra o rolo compressor da indiferenciação cultural e a pilhagem sem freio dos recursos naturais. Torna-se partidário das tecnologias doces e "inteligentes" (sobretudo desde que os fornecimentos de combustíveis fósseis se tornaram caros e inseguros), da aproximação do produto às necessidades particulares do consumidor. Os últimos baluartes do produtivismo em massa e do gigantismo industrial ecocida acabam de ruir clamorosamente, com os regimes de capitalismo burocrático do Leste europeu.

Quanto à temida massificação da "multidão solitária", não vem longe uma era em que se poderão conciliar as vantagens económicas do fabrico em série com a extrema individualização e adaptabilidade do produto final. Será assim uma espécie de síntese dialéctica superadora de alfaiate e pronto-a-vestir, ordenada por computador. Uma espécie de faça-você-mesmo integrado numa gigantesca cadeia produtiva.

No campo da modelação da personalidade e das opções éticas, estéticas e intelectuais, assiste-se à queda dos grandes modelos que serviam enormes conjuntos de homens e mulheres. E que lhes serviam em todas as circunstâncias da vida, dado terem resposta, ao menos potencial, a todas as questões imagináveis, no seio de uma grande construção de ambição sistemática e totalizante. É o crepúsculo da weltanschaung. As últimas "tecnologias pesadas" deste tipo - as grandes religiões confessionais, o positivismo, o marxismo, a psicanálise, outras menores - vêem-se remetidas a esferas de validade muito circunscritas, por colapso na sua coerência sistemática e más performances sucessivas na resolução de problemas novos e imprevistos. Quem se confiar por inteiro a um destes grandes sistemas, acaba fatalmente por ser levado onde não queria; por se encontrar perante situações paradoxais; por cair no desespero, porventura mesmo, no suicídio, É aconselhável, pois, a máxima prudência no manuseamento destas estruturas envelhecidas e crescentemente disfuncionais.

Se quisermos, será talvez a altura de polvilhar este texto, até aqui relativamente enxuto, com algumas especiarias retiradas do debate filosófico contemporâneo: pós-modernidade, pós-história, pós-metafísica (no sentido da superação da mesma, programa do velho e revolvido Heidegger), pós-humanidade. "Trata-se, acima de tudo”, segundo Gianni Vattimo, “de nos abrirmos a uma concepção não metafísica da verdade, que a interprete não tanto a partir do modelo positivista do saber científico quanto, por exemplo, (segundo a proposta característica da hermenêutica) a partir da arte e do modelo da retórica." Viveremos porventura ainda o triunfo desse niilismo completo (acabado, não simplesmente reactivo) que Nietzsche profetizou com ênfase.

A liberdade absoluta sempre perseguiu a humanidade como um imenso pesadelo, abismo centrífugo interminável onde se esfacela e dissolve qualquer possibilidade de vida em sociedade, carente como esta é de se abrigar no "calor maternal do preconceito". Porque os homens precisam de regras para viverem em conjunto, então a velha máxima da ética kantiana - "procede sempre de tal modo que, em cada momento, possas desejar que a tua conduta se erija em lei universal" - continua a fazer sentido, É mesmo a definição do procedimento moral. Mas uma definição não constitui ciência.

Morto Deus, agonizante a História, é o fundamento de toda a prescrição moral que se dessacraliza. A grande Ética "degrada-se" numa simples pragmática da vida social. Como que um sistema de semáforos, cuja maior utilidade consiste, não tanto em evitar os choques como em manter a circulação a um nível óptimo, evitando disputas inúteis.

Com a falência simultânea dos grandes discursos legitimadores de práticas sociais codificadas, é cada vez maior o espaço aberto à autonomia e criatividade individuais. É como se o sistema de semáforos (para manter esta analogia atrevida) perdesse a sua rigidez e se tornasse interactivo com o utente. O pobre peão friorento pode agora atravessar a rua deserta, às quatro da manhã, sem ter de esperar pelo sinal verde. Faz um julgamento moral. Numa situação concreta, ele derroga a norma e supre-a criticamente. O que tem o significado não negligenciável de que, num dado ponto, a sua subjectividade própria (outro faria doutro modo) inscreveu-se e passou a integrar o sistema.

O valor fundamental não é obedecer à regra, o valor fundamental, numa sociedade laicizada e liberta de toda a metafísica finalista, é a própria vida como irrupção desordenada e rebelde, criadora do seu próprio sentido. A vida que, finalmente, se vive apenas uma vez em face da morte "como uma onda que encrespou, arqueou num grande esforço, foi um côncavo glauco cheio de asas e explodiu a rir toda espumante" (António Patricio).

A vida pode ter momentos de exaltação, de desânimo, de cólera, de enternecimento, de melancolia. Mas viva-se candidamente uma vida de fio a pavio que não se lhe encontrará moral nenhurna, nem objectivo superior, e o mais é que não se dá pela sua falta.

E se agora nos perguntarmos, dentro do espirito "primum vivere, deinde philosophare", pela eterna questâo do "que fazer ?" Como conduzir a sua vida, não direi já com uma absoluta coerência, mas pelo menos obedecendo a uma certa unidade estilística (como uma catedral, uma sinfonia ou uma interpelação parlamentar ao Governo), evitando ao mesmo tempo que um saudável eclectismo resvale para a pura e simples falta de escrúpulos?

A minha ideia é esta: organize você mesmo o seu catecismo, pessoal e intransmissível como o seu cartão Multibanco. Seja freudiano, groucho-marxista, interesse-se pelo budismo e pela alimentação macrobiótica, adira à Amnistia Internacional, preocupe-se com as focas e com a dívida do Terceiro-Mundo, leia Beckett e não deixe de ouvir incessantemente os últimos quartetos de cordas de Beethoven. Se se sentir agoniado, embrenhe-se na actualíssima reflexão sobre o kitsch. Mas se quiser mesmo limpar os pulmões e o cérebro, então meta-se no seu carro, às três da manhã e vá até à praia. Olhe as estrelas. Pense no longo caminho que levaram as pequenas moléculas de hidrogénio, subindo a escada da complexidade, até se atingir o nível de organização de uma estrutura como... você, meu caro amigo, ainda indeciso sobre se a vida vale a pena ser vivida.

Abisme-se em nostalgia. Pode acontecer-lhe mesmo comover-se até às últimas lágrimas de alegria e gratidão, como sucedeu a Nietzsche no caminho de Engadine, quando foi assolado pela ideia do eterno retorno. Imagine a hipótese da teoria do Universo fechado, com milhares e milhares de biliões de galáxias divergindo mutuamente até um certo ponto crítico, de onde retrocedem de novo umas sobre as outras, espatifando-se finalmente numa imensa bola de fogo - que por sua vez iniciará outro ciclo de expansão do tempo e do espaço. Irmane-se, pois, com o Cosmos e respire deste êxtase panteísta que já era o de Francisco de Assis, o santo, ou de Giordano Bruno, o mártir pagão.

Por todas as razões que fui expondo, o mais franca e desordenadamente que tolerar se possa, estou convencido que a vida nesta época de retrocesso de algumas "grandes esperanças", pode ser um desafio exaltante, digno de empenho apaixonado e veemente. Ao contrário de Cioran, não creio ser necessária uma ilusão dogmática para conferir intensidade à vida, que definharia numa espécie de anorexia céptica por excesso de reflexão e criticismo. A menos que por vida plena se entenda a fúria cega e assassina das massas fanatizadas.

Quando penso a fundo nas potencialidades da vida espiritual de uma época como a nossa, que tem a possibilidade de se libertar em definitivo da superstição teleológica com que se debateu durante milénios, a única qualificação que me ocorre dar-lhe é a de heróica. Verdadeira nova era de Ulisses ou de Arjuna. Nela o homem vê-se enfim só no planeta, em face de uma imensa cúpula deserta, e respira o profundo e gélido azul do infinito. Ele sabe agora que tudo vai depender apenas da força do seu braço, da sua astúcia e bravura, da sua rapidez no cálculo das circunstâncias, da sua capacidade mesmo de se servir, na altura própria, da dose certa de lisonja ou da mistificação. O século XXI a meu ver pode ser, no mínimo, uma nova Renascença, no máximo, o dealbar de uma verdadeira idade de conquista cósmica.

Se agora quiser continuar a justificar os seus actos, lance então mão de recursos hermenêuticos da máxima flexibilidade, apenas pequenos tópicos legitimadores, fragmentos de um discurso práxico que perdeu em definitivo toda a vocação unitária e totalizante. Com plena consciência de que estes recursos têm um valor meramente instrumental.

O essencial mesmo, e para voltar a Camus, é que "cada um de nós deve retesar o arco para de novo prestar as suas provas, para conquistar dentro da história, e contra ela, aquilo que já possui; a escassa colheita dos seus campos, o breve amor desta terra (...) O arco torce-se, a madeira range. Quando a tensão atingir o máximo, brotará o voo impetuoso de uma flecha direita, do dardo mais duro e mais livre".

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Texto lido a 17 de Novembro de 1990, no bar-pub “Bacalhau” (Porto), no âmbito das ‘Conferências do Inferno’ promovidas pela revista ‘Última Geração’.

 

 

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