A PÁGINA DE ÂNGELO NOVO

 
 O fluxograma global
 
 
 

 

 

 

1.

Numa repartição pública, Possidónio Carreira, 40 anos, está à secretária movendo o rato e batendo no teclado do seu computador, muito absorvido, durante cinco minutos. A iluminação indica que se passaram várias horas. Há outras secretárias por perto, com outros funcionários, mas ninguém conversa.

 

 

 

2.

A cena muda, estamos agora na saída do serviço. O pessoal passa continuamente a picar o ponto.

 

JOCA BORRALHO: Então, viste aquela roubalheira de ontem? Eu estava a prever isto, mas quando vi nem queria acreditar. Dois foras de jogo mal tirados, dois penaltis por marcar, amarelos sempre a chover, a massacrar. Eles andam a querer enganar quem? Depois...

 

POSSIDÓNIO: Nã, passei por casa da minha mãe que está adoentada, ossos.

 

JOCA MENDES: Oh, carago. Mas achas que o Rio Ave desce mesmo? O título, já nem vale a pena. É fartar gatunagem. Comeram todos: a liga, o conselho, a federação, os jornalistas.

 

POSSIDÓNIO (distraído): Também com esta tática não vamos a lado nenhum. É preciso pressionar mais alto, cobrir as linhas de passe, jogar na antecipação ao meio campo, desmarcar à linha, cruzar atrasado e ter sempre alguém solto para a segunda bola.

 

JOCA BORRALHO: Lá estás tu a sonhar alto. Parece que não sabes como é que elas se fazem...

 

POSSIDÓNIO: A Luciana vai bem nos estudos?

 

JOCA BORRALHO: Pff. E de que é que vale estudar? Para ir lá para fora, vai-se de qualquer maneira. O que ela aprender cá é para esquecer.

 

POSSIDÓNIO: Não é assim, pá. Para triunfar na vida, em qualquer ambiente que seja, o que é preciso é método e perseverança. Fixar objetivos claros e prossegui-los sempre sem desfalecimento, com base numa estratégia de base bem definida mas flexível. Pode ser preciso atacar em várias frentes. O êxito pode vir por onde não se esperava. O que não se pode é desistir.

 

JOCA BORRALHO: Possi, somos amigos de putos, pr’aí há trinta anos. Tu sempre com essas tuas ambições do caralho. Estudos e mais estudos. Fodeste-me essa mioleira toda, c’agora pareces um disco rachado. Já ninguém te leva a sério e olha que eu sou teu amigo. Não casaste, não tens filhos, não vais a um café. E onde é que te levou tudo isso? Não estás melhor que eu e vais acabar sozinho e azedo que nem toucinho em vinha d’alhos.

 

POSSIDÓNIO: Tenho estado a sair com a Anunciação, das contra-ordenações. Já há umas quatro semanas e temo-nos entendido bem.

 

JOCA BORRALHO: Eh, pá, é o melhor que fazes. Conheço o pai. Sim, senhor, é uma miúda meiguinha, vê-se. E um bom pedaço. Ainda dá pr’a lamber os beiços.

 

POSSIDÓNIO: É uma rapariga de grande sensibilidade. Gosta de cinema, música, teatro. Acha que a vida tem um desígnio transcendental.

 

JOCA BORRALHO: Bom, eu isso não te sei dizer. Mas se vocês quiseram lá passar em casa um dia, faço-vos umas bifanas, com um molho… Oh! De fazer um monge cair de papo pr´ó ar, a ver estrelas candentes. É a boa nova, vou-te contar.

 

POSSIDÓNIO: Não digo que não. Havemos de ver isso. Dá um beijo à Luzia, que eu não me esqueci do aparelho para ela. Os importadores mudaram, uma complicação.

 

JOCA BORRALHO: Vai, vai, goza a vida, que ela já está a passar.

 

POSSIDÓNIO: E abraços a todas lá em casa.

 

 

 

3.

Em casa de Joca Borralho, tumultuosa refeição de família, com sua esposa Luzia e as quatro filhas adolescentes, Ana, Laureana, Luciana e Luana.

 

JOCA BORRALHO: Estive com o Possidónio, manda beijos e lembranças. Ele não se esqueceu do desumidificador, o fornecedor é que é outro. Aninhas, já disse que aqui à mesa não quero cá mensagens e tac-tac-tac, toc-toc-toc.

 

LUANA: Oh, paiííí. Que seca, poça! Que mal é que tem?

 

LUZIA: Respeita o teu pai, vá, filha. Logo mais falas com o Bruno.

 

JOCA BORRALHO: Na sexta-feira fui levar esta tipa e as amiguinhas lá ao andebol delas. Todas no carro, à frente e atrás, tac-tac-tac, tac-tac-tac. Já íamos nisto há meia-hora e eu digo: - então, meninas, o gato comeu-vos a língua? E sai-me esta gaja: Ah, nós estamos a conversar, não queremos é que tu ouças.

 

LUANA: Pois, tu não percebes as coisas mais simples. É impressionante, a sério.

 

JOCA BORRALHO: Não percebo, não percebo. Tenho uma atrofia cerebral galopante. É Alzheimer, Huntington, Parkinson. Todas as minhas funções cognitivas estão quinadas. Vou começar a andar de gatas e a patinar das traseiras como uma vaca louca.

 

LUCIANA: Ora, ainda bem que reconheces. É meio caminho andado para a cura.

 

LAUREANA: Pfff! Isto é um caso já para lá de qualquer cura.

 

LUZIA: Vá, meninas!

 

JOCA BORRALHO: Por exemplo, ainda não percebi porque é que vocês todas apertam na parte da frente do tubo da pasta de dentes. Tenho que ser eu a apertar na parte de trás.

 

ANA: Ah, ah. Chegamos às grandes questões, que regem o destino das famílias e de toda a humanidade.

 

JOCA BORRALHO: Olha lá, espertinha, minha filósofa do twiter, tu já fizeste a tua cama hoje, por acaso?

 

LUZIA: Pronto, deixa lá isso também tu.

 

JOCA BORRALHO: Deixa lá o tanas! Aqui toda a gente faz a sua caminha. Aprendi isso na tropa e foi o melhor que de lá trouxe.

 

LAUREANA: Pronto, chegou o instantezinho nostálgico. Adeus, até ao meu regresso. Ciao, ciao, ciao.

 

LUANA: Estás com pressa tu… Vê lá se ele te foge, não o deixas nem respirar, pobrezinho.

 

LAUREANA: Cala-me esse bestunto, Luaninha linguaruda.

 

LUANA e LUCIANA (dançando): Vai, vai, amore mio.

 

JOCA BORRALHO: Pouco basqueiro, caraças. Que mal fiz eu para vir parar no meio desta batalha de plumas, ou de penugens. Já nem sei o que digo…

 

LUZIA: Amanhã sempre vais para a mesa eleitoral? Quero saber por causa da rega. As plantas, coitadas, estão mesmo a precisar. E a bancada da loja precisa de um conserto.

 

JOCA BORRALHO: Ainda não sei. Estou à espera de um telefonema do Matos. Se me puderem dispensar, era bom, que aquilo é uma seca… Estas eleições não nos levam a lado nenhum. Temos que escolher entre o mal e o pior. Da próxima vez o pior de agora passa a ser o mal e temos que escolher entre esse mal e o pior. E assim sempre em diante. Vai apertando cada vez mais.

 

ANA: Até logo, paizinhos queridos, híper-maravilhosos.

 

LUZIA: Adeus filha. Estuda. E não andes sozinha à noite por sítios que não conheces.

 

 

 

4.

 

Em projeção no ecrã, uma emissão televisiva. Noite de apuramento de resultados de eleições autárquicas:

 

 

JOSÉ ROBERTO BRILHANTE: Boa noite senhoras e senhores telespetadores, é um verdadeiro terramoto eleitoral o que sucedeu hoje em todo o continente e regiões autónomas insulares. O Partido da Renovação Democrática perde mais de oitenta municípios diretamente para o Partido Democrático Renovador. O mapa eleitoral que nos é possível apurar a esta hora, faltando apurar quatrocentas e dezanove freguesias, aparece todo pintadinho de verde de Norte a Sul do país, não é assim Diana?

 

DIANA PINTADO: É verdade, Zé Roberto, disseste um terramoto e eu diria mesmo um tsunami verde, uma onda avassaladora que submergiu por completo a paisagem nacional, onde a custo resistiram algumas manchas grená, aqui e acolá. Mas comigo tenho o nosso comentador político Diógenes Subtil para nos fazer uma primeira análise destes resultados.

 

DIÓGENES SUBTIL: Obrigado, Diana Pintado. Hoje temos de facto um partido claramente vencedor na noite eleitoral e vai ser preciso muita imaginação para elidir este facto.

 

DIANA PINTADO: Pois precisamente, temos connosco em estúdio Adelino Enxofrado, secretário nacional do PRD, para um primeiro comentário a estes resultados. Mas não, Adelino Enxofrado saiu do estúdio há momentos, chega-me agora essa informação. Dizia então, Prof. Diógenes Subtil.

 

DIÓGENES SUBTIL: Pois, a evidência empírica é esmagadora. O ónus da governação não deixou margem para onirismos. As fragas são flagrantes e irrefragáveis. As incertezas da conjuntura macro-económica legaram um suave perfume de ininteligibilidade no próprio núcleo axiológico e axiomático do discurso político do governo. E o partido governamental sofreu naturalmente as consequências. A ruína do rumo e da rota arrombou irremediavelmente em derrota.

 

DIANA PINTADO: Peço desculpa por interromper o seu precioso raciocínio, mas chega-me a informação de que Adelino Enxofrado estilhaçou a porta do nosso estúdio e agrediu à cabeçada o nosso operador de câmara há instantes. É uma notícia de última hora e que faz parte também da atualidade do dia. Prossiga então, por favor, Professor Diógenes.

 

DIÓGENES SUBTIL: Pois é nesta complexa e delicada conjuntura hermenêutica que, infelizmente, se têm de ler estes lamentáveis eventos. Adelino Enxofrado é um homem honrado como Brutus era um homem honrado no Júlio César de Shakespeare. Mas as circunstâncias presentes constituem para ele uma enorme provação. Não vamos ser demasiado indulgentes nem excessivamente cruéis. A justa medida, apenas. Há uma frase de Parménides de Eleia, relatada por Teofrasto, que traduz muito bem toda a conceção ontológica em que baseio estas minhas ideias práticas sobre a arte de bem viver: “O que está fora do Ser não é Ser; o Não-Ser é nada; o Ser, portanto, é”. De resto, como aludia há pouco, toda a excelência histórica da democracia está precisamente nesta sublimação, superlativização e super-ritualização do confronto físico. É esta a matriz central da nossa civilização ocidental. Neste momento emblemático, pois, do fundo das nossas almas, em plena suspensão de juízo, todos nós somos Adelino Enxofrado e todos nós somos, também, o vosso operador de câmara. Boa noite.

 

DIANA PINTADO: Professor Subtil, dificilmente se poderia ir mais fundo, creio eu, na análise destes resultados eleitorais e suas repercussões imediatas. A emissão fica contigo José Roberto Brilhante. Alô, alô. Estás-me a ouvir?... Zé?...

 

 

 

5.

Possidónio e Anunciação estão sentados numa esplanada de praia, ao pôr-do-sol, conversando com uma certa intimidade.

 

ANUNCIAÇÃO: Marcaste a entrevista com o vereador?

 

POSSIDÓNIO: Quarta-feira, às 11 da manhã. Tenho que levar o projetor e tela. O Vítor ajuda-me com o PowerPoint.

 

ANUNCIAÇÃO: Dizem é muito virado para as tecnologias, todo atirado para o futuro. Mas diz-me lá, o que é isso afinal de um fluxograma. A gente ouve falar, e até diz também, mas a definição ao certo ainda não a fixei.

 

POSSIDÓNIO: Um fluxograma é uma representação esquemática de um processo que expõe de uma forma clara a troca de informações que ocorre entre os seus diversos elementos e toda a sequência operacional do seu desenvolvimento. Indica os diversos trabalhos que estão sendo realizados, o tempo necessário para sua conclusão, a distância percorrida pelos documentos, quem está realizando o trabalho e como ele flui entre os participantes de um mesmo processo.

 

ANUNCIAÇÃO: Pois, são aqueles esquemas com as setinhas e os quadradinhos.

 

POSSIDÓNIO: Pode ser qualquer figura geométrica normalizada. Estes esquemas são indispensáveis para a representação e gestão de qualquer procedimento administrativo. Há anos e anos que venho desenvolvendo esta ideia de fazer um fluxograma global integrado de todos os serviços municipais. Observei tudo pacientemente, falei com responsáveis e trabalhadores a todos os níveis. Trabalhei em casa dia e noite, aperfeiçoando todo o seu detalhe mais fino. Este projeto é importante para a minha realização pessoal e acho que pode ser de grande serviço público, um salto qualitativo enorme na nossa máquina administrativa. Vê só tu o que é teres os jardins, a salubridade, a proteção civil, o urbanismo, as obras públicas, as escolas, a ação social, o apoio às empresas, a cultura, tudo a funcionar de uma forma integrada, dentro de um mesmo sistema ordenado de fluxos.

 

ANUNCIAÇÃO: Era a maneira de estarmos todos unidos, num esforço comum, acho.

 

POSSIDÓNIO: Exatamente. E mais ainda, tudo isto é indispensável para definir a arquitetura necessária à sua informatização integral, com a digitalização de todos os elementos componentes.

 

ANUNCIAÇÃO: Safa, a mim ninguém me vai digitalizar.

 

POSSIDÓNIO: Tontinha! Em termos de processo tu, com toda a tua educação, a tua sensibilidade e a tua emotividade, és também um input no sistema. E agora não estou a referir-me só lá à Câmara. Falo da sociedade em geral. Eu agora tenho este projeto, mas na verdade já estou a pensar mais alto.

 

ANUNCIAÇÃO: Conta, conta. Estou-te a ouvir. Gosto de sentir esse teu entusiasmo.

 

POSSIDÓNIO: Todo o nosso país poderá funcionar, um dia, dentro de uma rigorosa programação de base fluxogramática. E depois a Europa. Porque não, um dia, todo o mundo.

 

ANUNCIAÇÃO: Estás a falar a sério?

 

POSSIDÓNIO: Muito a sério. As leis do mercado são as leis supremas e indisputadas da nossa sociedade. É tudo uma questão de as modelizar matematicamente, e os economistas já estão hoje muito próximos disso. A nossa sociedade não é mais do que um gigantesco campo de fluxos, de troca de informações. Idealmente, com um bom método e muito trabalho, poderemos conceber um modo de representar todas os atores e vetores que interagem no campo social. A sua força e a sua direção. O funcionamento do organismo social tornar-se-á assim completamente previsível e transparente. Toda a gente pode ver e conferir a direção que a sociedade toma, pelo livre jogo das suas forças em campo aberto. Tornar-nos-emos contemporâneos da compreensão da nossa própria história. E, finalmente, toda a conflitualidade social cessa por completo e todo o processo normativo fica extremamente simplificado. É só registar os movimentos espontâneos no campo social e legislar de forma a que eles fluam de forma ainda e sempre cada vez mais mais livre e desimpedida.

 

ANUNCIAÇÃO: Mas então, e as pessoas não votam? Não decidem o que querem para o governo dos seus países?

 

POSSIDÓNIO: As eleições são também um processo, melhor, um sub-processo dentro do funcionamento global de uma sociedade. Estão devidamente situadas e delimitadas dentro do jogo das forças sociais. Sim, porque o livre arbítrio não existe, em política menos ainda. Cada um decide conforme o leque de opções que tem concretamente perante si. As eleições abrem uma pequena bifurcação de hipóteses que não tem assim um peso descomunal dentro do equilíbrio geral do sistema. O importante é a harmonia geral entre tudo o que existe e a sua reconciliação final com o fluxo natural do devir.

 

ANUNCIAÇÃO: Mas isso é Deus, não é? A providência divina.

 

POSSIDÓNIO: Podes chamar-lhe assim se quiseres. Houve um astrónomo e matemático francês do século XVIII, Simon Laplace, que uma vez disse: Deus, não necessito dessa hipótese.

 

ANUNCIAÇÃO: Ai Possidónio não fales assim, que me dás arrepios.

 

POSSIDÓNIO: Desculpa amorzinho. Anda, vamos dar um passeio na areia, vai.

 

ANUNCIAÇÃO: Vamos.

 

 

 

6.

 

NARRADOR EM CENA (um anjo calvo e com umas grandes barbas brancas, em cadeira de rodas com as asas a arrastar pelo chão): Em Portugal S. A., as necessidades religiosas da população são objeto de constante atenção por parte da sua administração, aliás em cumprimento das diretivas do grande irmão berlinense: Ich bin ein berliner. Devidamente integradas na respetiva rede pan-europeia, foi criado um conjunto de grandes superfícies espirituais, devidamente regulamentadas e certificadas pela autoridade superior mercantil. Naturalmente, toda esta rede obedece ao conceito de “humanismo íntegro integral integrado”, pelo que as necessidades religiosas são sempre tratadas sintética e sincronicamente com as restantes necessidades essenciais da pessoa humana: a necessidade de subsistência física, a necessidade de reconhecimento, a necessidade de amor, a necessidade de recreação psíquica, a necessidade de afirmação pessoal, a necessidade de competição.

 

Toda e qualquer grande superfície espiritual estará assim necessariamente incluída num Grande Parque Vital, onde o humano pode, 24 horas por dia, estacionar a sua viatura, fazer as suas compras, jogar, assistir a espetáculos, embelezar-se, melhorar a sua forma física e rezar segundo o rito escolhido, tudo em ambiente de plena liberdade concorrencial.

 

Entra em cena Evaristo, colega de trabalho de Possidónio e Joca Borralho.

 

NARRADOR EM CENA: Evaristo assim fez naquele dia, pois tinha tido um mau dia no serviço e estava sentindo uma grande necessidade de comunhão cósmica. Dirigiu-se pois ao grande recinto de prece, ativou o seu cartão de crédito e validou a sua entrada. Sentiu-se de imediato invadido por uma grande beatitude. Com os olhos marejados de lágrimas, conseguiu ainda assim dirigir a palavra ao pastor-mestre:

 

EVARISTO: Irmão, bons olhos te vejam. A minha alma está plena de júbilo, a estrela do norte brilha em todo o seu esplendor.

 

PASTOR-MESTRE: E hoje tens sorte. Podes habilitar-te ao sorteio de uma viatura todo o terreno ou a umas férias para duas pessoas em Vanuatu.

 

EVARISTO: Ah, senhor. Entra em mim. Liberta-me. Revela-me. Deixa-me transportar toda a tua glória.

 

PASTOR-MESTRE: Temos também uma campanha especial para jovens. Seis meses de entrada bonificada a 50%, se apadrinhados por crentes com pelo menos cinco anos de antiguidade.

 

EVARISTO: Uma estrada da luz resplandecente se abre para todos os meus anseios.

 

PASTOR-MESTRE: E descontos em cartão para o teu combustível.

 

EVARISTO: O mundo é um, a celebração eterna, gaudium omnibus.

 

PASTOR-MESTRE: Se vieres três dias seguidos, ou sete interpolados na mesma quinzena, damos-te participações à tua escolha em fundos de rendimento mobiliário plus.

 

EVARISTO: Ó mestre, mas esses fundos são visados pela comissão de mercado?

 

PASTOR-MESTRE: Visados, visados sim, homologados e indexados na Tabela Internacional de Valores.

 

EVARISTO: E o rendimento médio é?

 

PASTOR-MESTRE: 3,7% em média ponderada anualizada sobre o último septénio.

 

EVARISTO: Catita, catita.

 

PASTOR-MESTRE: Pensa nisso. Vais à apresentação do Prof. Waldschrein? O tema é “A fúria de vencer – motivação e autoconfiança”.

 

EVARISTO: Ainda não sei, depende do resultado das minhas análises à ureia. Posso ter de averbá-los na minha ficha pública de empregabilidade.

 

PASTOR-MESTRE: OK menino, dá notícias.

 

EVARISTO: Salve, salve.

 

 

 

7.

 

 

 

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