A PÁGINA DE ÂNGELO NOVO

 
 

A Revolução alemã (1918-1923) (*)

 
 A revolução alemã
 

 

Isabel Loureiro

A Revolução alemã (1918-1923)

Editora UNESP, São Paulo, 2005, 180 p.

 

 

Do meu conhecimento esta é a primeira obra original em língua portuguesa sobre um dos eventos históricos maiores e uma das encruzilhadas decisivas do século passado. É uma obra de divulgação, baseada sobretudo em fontes secundárias, feita para uma colecção dedicada às “Revoluções do Século XX”. Todavia, não deixa por isso de apresentar perspectivas originais e de as defender com denodo e pertinácia.

 

Agora que está definitivamente encerrado e em balanço o longo ciclo revolucionário do século XX, podemos lançar um novo olhar sobre o passado. Quanto ao ciclo revolucionário alemão que se seguiu à derrota do Kaiserreich na I Grande Guerra, ao contrário do que sempre sustentou a tradição historiográfica marxista, em seus diversos matizes, o que ressalta agora, numa visão crítica e desapaixonada, é que em nenhuma ocasião se esteve perto sequer de consolidar um poder revolucionário dos trabalhadores. A organização conselhista foi sempre muito incipiente, e mesmo aí os comunistas eram uma pequena minoria sem rumo certo. Se foram prolongados e agoniantes os espasmos de parto da república de Weimar, a verdade é que a dominação burguesa nunca pareceu correr sério perigo. A classe operária conheceu momentos de aguda revolta, mas nunca esteve ganha maioritariamente para o projecto de uma tomada do poder. A situação nos campos permaneceu calma, senão mesmo em reserva permanente para as manobras da contra-revolução.

 

É esta, enfim, a perspectiva da autora, que nos guia com mão segura e grande riqueza de detalhe desde a catástrofe da insurreição spartakista de Janeiro de 1919 à derrota comunista no Outono alemão de 1923, passando pela “acção de Março” de 1921 e pelas efémeras e desesperadas repúblicas conselhistas de Munique. Isabel Maria Loureiro é de origem portuguesa mas está radicada no Brasil desde a sua infância. É professora do Departamento de Filosofia na Universidade Estadual Paulista (UNESP-Marília), presidente da Fundação Rosa Luxemburgo no Brasil e membro do comité editorial da revista ‘Crítica Marxista’.

 

 

 

(*) Publicado na revista ‘Política Operária’, nº 108 (janeiro-fevereiro de 2007).

 

 

 

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